Resumo: Em setembro de 2026, pesquisadores da Universidade Cornell descreveram o primeiro caso conhecido de síndrome de Marfan em gatos: os irmãos Gary e Shaggy, que tinham membros longos, alterações nos olhos e aumento da aorta. A doença é genética, rara e enfraquece o tecido conjuntivo. O estudo deve ajudar veterinários a reconhecer novos casos e abre caminho para testes genéticos.

Gary e Shaggy são irmãos e, desde filhotes, tinham as patas mais compridas que o normal. Com o tempo, apareceram problemas nos olhos e um aumento da aorta, a maior artéria do corpo. Em setembro de 2026, pesquisadores da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, publicaram o diagnóstico na revista científica Scientific Reports. Os dois são os primeiros gatos com síndrome de Marfan descritos pela ciência.
Em pessoas, a síndrome afeta cerca de 1 em cada 4.000 indivíduos e é estudada há mais de um século. Em gatos, ninguém tinha confirmado um caso até agora.
A síndrome de Marfan enfraquece o tecido que sustenta o corpo
O tecido conjuntivo é o material que dá firmeza e elasticidade a ossos, ligamentos, vasos sanguíneos e olhos. Na síndrome de Marfan, uma alteração no gene FBN1 prejudica a produção da fibrilina-1, uma das proteínas desse tecido.
Como o tecido conjuntivo está espalhado pelo corpo inteiro, a doença costuma aparecer em mais de um lugar ao mesmo tempo. Os pontos mais afetados são o esqueleto, os olhos e o coração.
Os sinais de Gary e Shaggy apareceram aos poucos
Primeiro vieram os membros longos, ainda na fase de filhote. Depois, os veterinários encontraram alterações na estrutura dos olhos. Nos exames do coração, viram que a aorta estava aumentada.
Foi essa combinação que levou os especialistas a suspeitar da síndrome. A confirmação veio com avaliações clínicas detalhadas e o sequenciamento genético dos dois irmãos.
Os dois herdaram uma alteração do pai e outra da mãe
Em pessoas, basta uma cópia alterada do gene FBN1 para causar a doença. Gary e Shaggy têm duas, uma herdada de cada um dos pais.
A alteração encontrada nos gatos atrapalha a leitura das instruções do gene, mas não a bloqueia por completo. Parte da fibrilina-1 continua sendo produzida normalmente, o que pode explicar por que os irmãos chegaram à idade adulta mesmo com as duas cópias afetadas.
A descoberta ajuda a reconhecer novos casos
A Dra. Jacquelyn Evans, autora sênior do estudo, diz que os resultados criam uma base para melhorar o diagnóstico veterinário. Ela também destacou o papel dos responsáveis por Gary e Shaggy, que colaboraram com a pesquisa do começo ao fim.
Para os veterinários, o caso vira uma referência. Um gato com membros longos, alterações nos olhos e aorta aumentada agora tem um diagnóstico possível com nome e gene conhecidos. Com o gene identificado, também fica mais perto o desenvolvimento de um teste genético para gatos.
Seu gato tem patas compridas? Na maioria das vezes, é só o jeito dele
A síndrome de Marfan é raríssima. Muitos gatos saudáveis são altos e esguios por natureza, e isso não indica doença.
Vale conversar com a veterinária quando vários sinais aparecem juntos, principalmente em mais de um filhote da mesma ninhada:
- crescimento desproporcional dos membros desde cedo;
- alterações nos olhos, ou sinais de que o gato está enxergando menos (em pessoas com Marfan, o problema mais típico é o deslocamento do cristalino, a “lente” do olho);
- cansaço fácil, respiração acelerada ou um sopro no coração ouvido na consulta.
Cada um desses sinais tem causas bem mais comuns que a síndrome de Marfan. Por isso, o primeiro passo é sempre uma avaliação clínica completa. A partir dela, a veterinária indica os exames que fazem sentido para o seu gato.
Dica: as consultas de rotina desde filhote são a melhor chance de acompanhar o crescimento do gato e perceber cedo qualquer mudança nos olhos ou no coração.
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Fonte: First known case of Marfan syndrome discovered in feline siblings, Cornell Chronicle, 24 de setembro de 2026.
Perguntas frequentes
A síndrome de Marfan é comum em gatos?
Não. Até setembro de 2026, Gary e Shaggy eram os únicos gatos com o diagnóstico documentado. Muitos gatos saudáveis são naturalmente altos e esguios, e isso sozinho não indica doença.
Existe teste genético para síndrome de Marfan em gatos?
Ainda não existe um teste disponível na rotina das clínicas. Os pesquisadores identificaram o gene envolvido, o FBN1, e esse é o primeiro passo para criar um.
Gato com síndrome de Marfan pode viver bem?
Os dois gatos do estudo chegaram à idade adulta. Como a doença pode afetar o coração e os olhos, eles precisam de acompanhamento veterinário regular, com os exames indicados para cada caso.


